Direção da APP-Sindicato sabota greve, renova a confiança no governo e aprofunda a derrota da categoria

Notas oficiais

O verniz da valorização encobre a engenharia da derrota

O anúncio do governo Ratinho Junior, vendido como “valorização histórica”, encobre mais uma derrota imposta à categoria sustentada pela postura conciliatória da direção da APP-Sindicato. Sob o discurso da responsabilidade fiscal, mantém-se o arrocho salarial, ignoram-se as perdas acumuladas e aprofundam-se as condições precárias de trabalho nas escolas.

Os 5% de reposição não representam qualquer recomposição real. Não cobrem sequer a inflação recente, muito menos o histórico de defasagem salarial. Ainda assim, são apresentados como avanço, enquanto se consolida a desvalorização estrutural dos trabalhadores da educação.

Essa política só se sustenta porque encontra respaldo em uma direção sindical que atua como elemento de contenção. Ao evitar deliberadamente a construção de paralisações reais, impede o protagonismo da categoria e monopoliza as ações, esvaziando a participação da base e bloqueando qualquer pressão efetiva.

O blefe da greve e o esvaziamento da luta

O anúncio da greve revelou-se, como já denunciado, um blefe. Ao suspender a paralisação antes mesmo de conhecer a proposta do governo, a direção escancarou que não houve qualquer construção de mobilização nas escolas e que nunca houve intenção de levá-la adiante. Ao fazê-lo, renova sua confiança nas negociações institucionais e no próprio governo, abrindo mão do enfrentamento e retirando da categoria qualquer possibilidade real de pressão.

Essa prática se repete: anuncia-se a greve sem base, recua-se sem luta e, ao final, naturaliza-se a derrota. O resultado é o fortalecimento do governo e o aprofundamento da descrença nas escolas.

Migalhas para a educação, bilhões para o empresariado

Os 5% são irrisórios diante dos mais de R$ 132 bilhões em renúncias fiscais concedidas pelo Estado ao empresariado. Não se trata de falta de recursos, mas de prioridade: bilhões para o empresariado, arrocho para quem está na sala de aula.
A realidade nas escolas expressa essa escolha: salários corroídos, intensificação do trabalho, adoecimento e precarização das condições de ensino. O que se apresenta como valorização não passa de uma medida simbólica, completamente desproporcional diante dos recursos usurpados do fundo público para favorecer poucos à custa da maioria.

Essa “proposta” não é avanço, mas mais uma derrota. É o resultado direto da política do governo e da atuação de uma direção sindical que bloqueia a organização da base. Superar esse ciclo exige reconstruir, desde o chão da escola, o protagonismo da categoria e a greve como instrumento real de luta e não como mera encenação para administrar derrotas.

Movimento 29 de Abril
30 de março de 2026

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