A justíssima pauta de reivindicações dos trabalhadores(as) da educação da rede estadual do Paraná não pode servir como barganha eleitoreira de uma direção sindical que há anos esvazia um dos principais instrumentos de luta da classe.
A greve, como ultimato, não se sustenta para além do blefe de quem há anos vem atuando para o esvaziamento político e ideológico da categoria. São anos fazendo a contenção da luta mesmo com intensos ataques voltados tanto ao desmonte da educação pública, da gestão democrática e do currículo, quanto das nossas condições de trabalho e de vida. Nem mesmo as mortes de professoras dentro das escolas em decorrência das pressões sofridas fez com que essa direção levantasse a voz contra esse governo.
Paira sobre essa direção a ilusão de que a contenção de nossas angústias e a sua submissão aos ditames do governador o colocará lado á lado com Lula nos palanques ainda a se definir.
Nas escolas persiste a desconfiança sobre uma direção sindical inconsequente, incapaz de levar nossas lutas às últimas possibilidades. As últimas greves foram marcadas por recuos infundados ou, o que é muito pior, com prazo pré-determinado para se encerrar.
Os resultados dessa política são inúmeros, a começar pelo acúmulo de derrotas que degradam nosso salário, achatam nossa carreira, intensifica nosso sofrimento e sacrificam os lutadores da linha de frente.
Sim, essa direção, que se perpetua há anos no sindicato, tem responsabilidade nas duras condições que enfrentamos no dia a dia de nossas escolas. Os sucessivos governos não voariam em céu de brigadeiro no avanço tenaz rumo a destruição do serviço público sem o imobilismo imposto à categoria por direções sindicais que fazem parte das engrenagens do governismo.
Essa triste constatação, no entanto, não deve servir para arrefecer o espírito de luta. Ao contrário, reforça o justo caminho da luta para que governos anti-povo e burocratas encastelados em nossas entidades sejam varridos para o esquecimento.
A tarefa que se impõe é superar o blefe constante, a submissão de nossas pautas aos interesses eleitoreiros e transformar o imobilismo em luta organizada, resgatando a greve como instrumento de unidade da categoria.
Movimento 29 de Abril